18/01/2010
Formiga MG
Prefeitura fecha as portas
Sem reforma administrativa, prefeito diz que não trabalha
Vereador denuncia que município privilegia servidores comissionados


Jornal O Tempo

A Prefeitura de Formiga, na região Centro-Oeste de Minas, está com as portas fechadas. A atitude extrema foi tomada pelo prefeito Aluísio Veloso (PT), indignado e, segundo ele, impossibilitado de trabalhar porque os vereadores entraram em recesso antes de apreciar o projeto que prevê a reestruturação administrativa do município. O petista explica que o orçamento foi votado e aprovado, mas que, sem a definição dos quadros, não será possível executá-lo.
"Está tudo parado. Ambulâncias e caminhão de lixo estão trabalhando com gasolina emprestada. Na segunda-feira, o serviço de lixo vai parar, a prefeitura não está fazendo nenhuma compra".
O secretário de Comunicação da prefeitura, Túlio Fonseca, denuncia que os vereadores não votaram o projeto por retaliação, já que não conseguiram iniciar a construção da nova sede do Legislativo.
"A Câmara juntou recursos para a construção de uma nova sede, mas o Conselho de Patrimônio Cultural e o Ministério Público disseram que não era possível. Como prevê a lei, foram obrigados a devolver os recursos para a prefeitura, o que fez com que os vereadores decidissem que não aprovariam mais nada", explica.
Definição. O vice-presidente da Câmara, Reginaldo Henrique dos Santos (PCdoB), diz que a nova estrutura administrativa do Executivo não foi votada a pedido do Sindicato dos Trabalhadores de Formiga (Sintrafor), que acusou a prefeitura de estar privilegiando ocupantes de cargos comissionados. "Vamos esperar o plano de carreira e votaremos isso junto da estrutura administrativa", diz.
O vereador acrescenta que, em 2009, os trabalhadores não receberam qualquer aumento salarial. "Os cargos comissionados ganham aumento de 50%, impossibilitando aumentos para outros trabalhadores".
Segundo a assessoria da Câmara, na segunda-feira, os vereadores vão se reunir com representantes do sindicato dos trabalhadores para definir se vão apoiar ou não a reforma administrativa.
Mãos atadas
Rusga. Os casos de desentendimento entre Executivo e Legislativo na virada do ano são situação comum. Como revelou O TEMPO, em Matozinhos, a Câmara entrou em recesso sem votar o orçamento 2010.
Publicado em: 09/01/2010