Pesquisa mostra que mostra que de um total de 94 marcas analisadas, 48% delas não se encontravam em conformidade com a legislação nacional em pelo menos um dos componentes analisados.Atualmente, o consumo da aguardente de cana vem crescendo em todas as classes da sociedade brasileira, fazendo com que ela se torne também uma bebida fina no mercado externo. Para se ter uma idéia, a produção estimada de aguardente no Brasil é de 1,3 bilhões de litros por ano com mais de 5 mil marcas registradas e cerca de 30 mil produtores em todo o país. Mas os fabricantes de aguardente e cachaça, muitas vezes, enfrentam barreiras para entrar no mercado externo, principalmente devido à qualidade e à falta de padronização da bebida. Isso é o que mostram André Ricardo Alcarde e equipe da Universidade de São Paulo em um estudo que teve como objetivo avaliar marcas comerciais de cachaças e aguardentes brasileiras e sua conformidade com os padrões de identidade e qualidade previstos pela legislação vigente. Amostras de 94 cachaças e aguardentes comerciais foram analisadas segundo os padrões de identidade e qualidade em vigor. De acordo com artigo publicado na edição de outubro/dezembro de 2007 da revista Ciência e Tecnologia de Alimentos, “o aprimoramento da qualidade e da padronização da aguardente e da cachaça é essencial para que a bebida atenda aos padrões internacionais e seja aceita pelo mercado externo, proporcionando condições de abertura e manutenção do mercado de exportação. Além disso, proporcionaria aceitação no mercado interno pelas classes de maior poder aquisitivo, as quais exigem bebida de boa qualidade”. Os resultados mostram grande variação na concentração dos componentes secundários destas bebidas. Os teores de álcoois superiores, acidez e ésteres foram os que mais oscilaram, indicando que a aguardente brasileira apresenta grande variabilidade de compostos químicos entre as marcas estudadas. Das 94 marcas analisadas, 48% delas não se encontravam em conformidade com a legislação nacional em pelo menos um dos componentes analisados. Segundo os pesquisadores, “isso reflete as dificuldades enfrentadas pelos produtores em garantir a qualidade físico-química e a padronização da bebida em todas as etapas da produção. Além disso, a utilização de técnicas incorretas de amostragem e equipamentos de baixa precisão pode resultar em produtos fora das especificações legais, dificultando o crescimento do mercado interno e comprometendo a exportação dessas bebidas”. Dessa forma, eles alertam para a importância do controle de qualidade das etapas de produção da cachaça e da aguardente. “Além disso, é necessário que os produtores, principalmente os pequenos, atualizem seus conhecimentos tecnológicos e introduzam novas técnicas de amostragem e análises de controle, garantindo que a bebida chegue ao consumidor conforme as exigências da lei”, completam no artigo. Fonte: Agência Notisa (science journalism – jornalismo científico) |
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