Cristovam Buarque lamenta que mídia não se ocupe do que chamou de "escândalos invisíveis" do país
Cristovam Buarque lamenta que mídia não se ocupe do que chamou de "escândalos invisíveis" do país
Em pronunciamento nesta segunda-feira (13), o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) lamentou que a mídia brasileira dedique muito espaço aos "escândalos visíveis", assim classificados por ele como aqueles episódios que não saem dos meios de comunicação, enquanto o país convive rotineiramente com "escândalos invisíveis", que se manifestam na adoção de programas que não interessam à grande maioria da população, e que darão origem, mais tarde, aos "escândalos previsíveis".
- Temos que nos escandalizar com a corrupção no comportamento, mas também com a corrupção existente nas prioridades. Tornar os escândalos invisíveis também é uma corrupção. A mídia não consegue ver escândalo na falta de prioridades das políticas, mas só no comportamento dos políticos - afirmou.
Como exemplo de "escândalo invisível", o senador citou o fato de que 27% das crianças do Piauí não sabem ler, percentual que atinge 11% do total das crianças do país "ou uma em cada dez", o que seria "um escândalo tão grave como o uso de passagem do Senado sem ser para o trabalho".
O senador também enquadrou na mesma categoria a existência no Brasil de 14 milhões de analfabetos plenos; a concentração de 50% da renda do país junto a 1% da população; a ação de inconstitucionalidade impetrada por cinco governadores estaduais contra o piso salarial de R$ 950 a ser pago aos professores; as filas para cirurgias em hospitais; a prostituição infantil; e a dependência de 50 milhões de pessoas "que só conseguem comer" graças ao programa Bolsa-Família do governo federal.
Cristovam disse ainda que as eleições gerais do próximo ano apontam para a formação de um "escândalo previsível", tendo em vista à falta de perspectiva da renovação da classe política.
Em aparte, o senador Heráclito Fortes (DEM-PI) disse que considerava "um escândalo" a realização dos jogos da Copa do Mundo de 2014 em 12 capitais brasileiras. Ele salientou que o evento - um espetáculo eminentemente comercial em que tudo é vendido - obriga o Brasil a investimentos completamente desproporcionais à realidade da população, referindo-se à construção de estádios monumentais que ficarão inoperantes após os jogos.
Sarney
O senador disse, ainda, que o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), não pode ser responsabilizado pelos escândalos de ordem coletiva que atingem a instituição, como o uso de passagens aéreas e de verba indenizatória, mas apenas pelos escândalos de ordem individual que o atingem diretamente, a exemplo de nomeações para cargos comissionados; do recebimento de verba cultural da Petrobras por uma fundação da qual é presidente de honra; e da manutenção de uma suposta conta bancária não-declarada no exterior.
- É visível a responsabilidade dele se as denúncias forem comprovadas. O uso da verba da Petrobras em fundação é correto, mas se houve desvio de dinheiro a responsabilidade é de Sarney - afirmou.
Da Redação / Agência Senado |